terça-feira, 26 de março de 2013

Mostra de Videos da semana de Humanidades



A mostra de videos da II semana de humanidades occoreu do durante três dias na sala de multimidias da FAFIC-UERN,coordenada inicialmente pelo GECOM e o PETCIS,as petianas Irenice Ferreira e Jaelyca Carolina foram responsaveis por todas as exibições de 7 curtas-metragem e 4 encontros com autores.
 Segue abaixo a lista de videos e curtas exibidos:
DIA 13/03/2013:

O Rebuliço de Renato Caldas na Terra dos Poetas
Sinopse do documentário:
O documentário conta a história do poeta Renato Caldas. A poesia de Renato é marcada pelo falar do homem e da mulher simples do dia-a-dia, do matuto que sabe o que diz, e da valorização da mulher. Como resgate poético, os autores deste documentário mostram a poesia de Renato Caldas como resgate da memória da cidade.
Direção: Ádala Dayane e Jobielson Silva
Duração: 32 minutos

Elizeu Ventania, Rei das Canções 
Sinopse do documentário:

O filme traz um pouco da história do cantor Elizeu Ventania, natural de Martins/RN, considerado um dos maiores tocadores de viola nos últimos tempos. Através de relatos de familiares e lembranças de pessoas que tiveram a oportunidade de conhecê-lo.
Direção: Leilane Andrade, Pedro Rebouças
Duração: 19 minutos.

Pátria Armada Brasil
Sinopse do documentário:

Durante duas décadas a história deste país foi tingida de sangue. A ditadura militar instaurada em 1964 cerceou as liberdades democráticas e reprimiu os descontentes com muita violência, tortura e morte. Entre aqueles que derramaram suor, lágrimas e sangue, em seu clamor e luta por liberdade, alguns residem hoje em Mossoró, Rio Grande do Norte. Neste vídeo, três deles irão falar sobre o que viram e viveram na Pátria Armada Brasil.
O documentário foi premiado no EXPOCOM Nacional (Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação)
Direção: Marbenes Maia
Duração: 22 minutos.

A Mais Bela Voz – Histórias de uma Emoção
Sinopse do documentário:

O documentário constrói em depoimentos e imagens parte da memória oral do concurso de revelação de talentos musicais mais antigo do rádio potiguar, promovido e apresentado pela Rádio Rural de Mossoró, AM 990 Khz. Realizado desde o ano de 1968, tem como objetivo revelar, promover e incentivar jovens artistas a ingressarem no mundo da música. O certame é destinado à cidade de Mossoró e da região Oeste Potiguar e ainda atrai candidatos de outros Estados, como Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. É realizado tradicionalmente, no mês de dezembro, dentro dos festejos alusivos a Santa Luzia, padroeira da cidade de Mossoró. O documentário relata momentos de emoções através de depoimentos de pessoas que construíram esta história.
Direção: Graça Oliveira
Duração: 22 minutos.

                                    Duração total dos vídeos: 95 minutos
 DIA 14/03/2013

São Rafael, águas passadas que movem moinhos
Sinopse do documentário:
O documentário produzido pelos estudantes de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), conta a história da cidade que há pouco mais de trinta anos foi totalmente inundada pela Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, por meio da implantação do Projeto Baixo-Açu.
Com duração de 27 minutos, sete personagens conduzem a narrativa documental que faz emergir a história da “atlântida potiguar”, evocada por aqueles que, de fato, viveram o processo de mudança, que tiveram de sair de suas casas e de sua cidade para dar lugar ao progresso.
Direção: André Araújo, Anna Oliveira e Ceiça Guielherme
Duração: 27minutos

Com quantas ave-marias se faz uma santa?
Sinopse do documentário:
O vídeo-documentário, feito no decorrer de um ano, conta, através de depoimentos, a história de uma menina que se perdeu em uma das serras aos arredores da cidade de Florânia, Rio Grande do Norte, e, após vários anos, foi encontrada morta e com o corpo intacto, à sombra de uma árvore. A partir daí surge o mito da Santa Menina.
Direção: Albery Lúcio
Duração: 28minutos

O Circo do Palhaço Facilita
Sinopse do documentário:

A figura do palhaço sempre encantou o menino alagoano José Mariano da Silva que aos 13 anos contrariando seu pai, fugiu com um circo em busca do seu sonho: tornar-se palhaço. No início ele vigiava a cerca, trabalhava na limpeza e vendia pipoca, aos poucos conquistou seu espaço e tornou-se o palhaço Facilita, sendo batizado no picadeiro pelo cantor Luiz Gonzaga. Com o sonho realizado, surgia um novo desafio: ser palhaço do seu próprio circo. Há 38 anos ele leva alegria para a população potiguar, e tem feito parte da infância de várias gerações.
Direção: Erica Lima
Duração: 28minutos


Duração total dos vídeos: 83 minutos

 DIA 15/03/2013:
Encontro com Autores.
Clarice Lispector, Patativa do Assaré, José Lins, Machado de Assis

Visita dos Petianos ao Museu do Sertão


Por volta das 8 horas da manhã,as petianas Isadora Cruz e Jaelyca Carolina fizeram uma visita tematica ao museu do sertão,situado na cidade de Mossoró no bairro abolição IV.Os alunos foram conduzidos pelo professor Benedito vinculado ao departamento de geografia da UERN,onde houve interações com diversas turmas de alunos,da UFERSA,UERN e rede de ensino municipal.
 Toda a visita foi realizada na compainha do vice-reitor Aecio Candido de Souza.







segunda-feira, 18 de março de 2013

II Semana de Humanidades. FAFIC | UERN


Durante a semana de humanidades que ocorreu do dia 15 ao dia 18 de Março no Campus central da UERN, os bolsistas do Petcis tiveram uma grande participação nas atividades contribuindo cada vez mais para nossa formação acadêmica e vital. Participamos em monitorias, amostras de vídeos, grupos de trabalhos, minicursos e ouvintes de mesas redondas.

Primeiro dia da Semana de Humanidades.






Participação em grupo de Trabalhos:

AS UTOPIAS EMANCIPATÓRIAS DE SLAVOJ ŽIŽEK – RODRIGO BARROS

CORPO VENDIDO, CIDADANIA INCERTA: UMA BREVE ANÁLISE SOBRE A NOÇÃO DE CIDADANIA DE GAROTOS DE PROGRAMA QUE SE ANUNCIAM NA INTERNET – GLEIDSON CARLOS XAVIER PEIXOTO



 O HOMEM E SUA CRIAÇÃO: ITINERÁRIO DE VIDA E OBRA DE MANOEL DE BARROS EM SUAS MEMÓRIAS INVENTADAS - JAELYCA CAROLINA FERREIRA DE SOUZA





VIDAS ASFALTADAS -  CLEYLTON RODRIGUES DA COSTA




CENAS, CENÁRIOS, PERSONAGENS: O TEATRO POPULAR E A FORMAÇÃO HUMANA - ISADORA INGRID AUGUSTO DA CRUZ


APAE: A INCLUSÃO DO EXCEPCIONAL NO CONTEXTO SOCIAL DE CARAÚBAS - ISRAELA MÍRIAM DE MELO


O PROCESSO EDUCATIVO DO DEFICIENTE AUDITIVO NO CAS-MOSSORÓ -  NATÁLIA DE MORAIS VIANA


Participação em Minicurso:


TITULO: BOAVENTURA DE SOUZA SANTOS E EDGAR MORIN: A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO


Proponente:

Francisca Natália da Silva

Maria de Fátima da Silva Melo

Israela Miriam de Melo


PÚBLICO ALVO

Comunidade uerniana e demais interessados pela temática abordada;


Resumo: Este minicurso tem o propósito de apresentar algumas das principais ideias discutidas pelos autores Boaventura de Sousa Santos e Edgar Morin. É possível realizarmos algumas aproximações entre as ideias apresentadas pelos autores. Boaventura descreve e problematiza as ciências exatas e o surgimento das ciências humanas, enfatizando a valoração do conhecimento científico em detrimento ao conhecimento popular. Discutiremos as relações entre conhecimento científico-natural e científico-social, bem como a relevância do conhecimento local e total. Buscaremos nas construções do pensamento de Edgard Morin os eixos pertinentes à educação contemporânea e a ciência, tendo como base o senso comum para construção do pensamento científico.






TITULO: DAVID LE BRETON E MICHEL FOUCAULT: DIÁLOGOS SOBRE A SOCIOLOGIA DO CORPO E A HISTÓRIA DA SEXUALIDADE

Proponentes:
Gleidson Carlos Xavier Peixoto
Natália de Morais Viana
Sonally Albino da Silva

PUBLICO ALVO
Corpo discente da UERN e demais pessoas interessados pela temática abordada.

Resumo: Este minicurso tem a intenção de introduzir os ouvintes em algumas das principais ideias discutidas pelos autores David Le Breton e Michel Foucault em suas obras A sociologia do corpo e A História da Sexualidade – A vontade de saber. David Le Breton sugere que as ações que tecem a trama da vida quotidiana - das mais fúteis ou menos concretas até aquelas que ocorrem na cena pública - envolvem a mediação da corporeidade. Para Foucault, o sexo pertence à regulação das populações, como na reprodução da espécie, no planejamento familiar, no dispêndio e por todos os efeitos globais que induz. Então, nesse sentido, é possível propormos algumas aproximações entre as ideias dos autores que são de grande importância no entendimento do corpo e da sexualidade humana.



Participação em Oficinas:


TITULO: NOVAS METODOLOGIAS DE ENSINO: APENDENDO A TRABALHAR COM O CORDEL

Proponentes:
Amanda Kelly Alves Sarmento Abrantes
Gilmara Juvina Diniz Silva
Isadora Ingrid Augusto da Cruz

Público alvo: Docentes da Educação Básica, do Ensino Superior, Graduandos e demais profissionais da educação interessados na temática.

Resumo: Buscando discutir acerca da necessidade de novas metodologias para o ensino básico, apresentaremos o cordel como uma ferramenta inovadora, que permite trabalhar com as mais diversas temáticas de forma lúdica e rica em conhecimentos e análise crítica. Utilizaremos, dinâmicas e exercícios práticos, proporcionando aos partipantes maior conhecimento das técnicas necessárias a produção e análise dos versos que constituem os cordéis, viabilizando assim uma prática na cosntrução de poesia rimada. Essa temática faz-se de grande importância para a educação, sobretudo no ensino básico onde tem-se buscado inovar em metodologias, pois pode colaborar, para a utilização do cordel enquanto metodologia, e auxiliar na construção de novas ideias que possam suprir a necessidade de um ensino mais dinâmico e inovador


Encerramento: Apresentação cultural!




"Neste dia 15 de março de 2013, o filósofo e psicanalista Slavoj Žižek esteve palestrando no Recife (PE) depois de ter palestrado em outras cidades do Brasil à convite da editora editora Boitempo.
Rodrigo Barros, estudante do curso de Ciências Sociais e membro do PETCIS, foi até a cidade para ver de perto o pensador que admira e observa há algum tempo.
Aproveitando o lançamento do seu novo livro, "Menos que Nada", Žižek falou a respeito de Hegel, Lacan, marxismo, pós-marxismo, política, cultura popular, história e teologia. Suas posições polêmicos faziam par com as cabulosas referências e estórias que o mesmo insistia em compartilhar; para o horror da tradutora responsável por dar voz em português ao esloveno cheio de tiques e cacoetes.
Com mais de 60 obras escritas numa carreira frenética, Žižek se destaca pela sua metodologia, abordagem e pelos novos significados que rende ao unir filosofia e psicanalise. Infelizmente nós ainda pecamos por ter tão poucas traduzidas para o nosso idioma.
Mas poder estar perto desse gigante da filosofia e ter sua edição de "A visão em paralaxe" assinada já foi de grande proveito. Bela iniciativa da Boitempo junto com a ArtFliporto nesta conferência que lotou o teatro da Universidade Federal de Pernambuco."

segunda-feira, 11 de março de 2013

Todos estão convidados para a II SEMANA DE HUMANIDADES DA FAFIC/UERN
A abertura será no TEATRO MUNICIPAL
Data: 12/03/2013
Horario: 19:00hs

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Ed6MiVoEe6c

quarta-feira, 6 de março de 2013

Comemoração



O Petcis deseja todas as felicidades e as neblinas de boa sorte ao nosso Tutor, amigo e mestre do nosso barco, Ailton Siqueira. Feliz aniversário e desejamos todas as “Bicicletas, bolos e outras alegrias” .






terça-feira, 5 de março de 2013

Tutor do PETCIS Ailton Siqueira de S. Fonseca tem GT aprovado na IV REA| XII ABANNE que acontecerá nos dias 04 a 07 de Agosto em Fortaleza

Grupo de trabalho 33: Antropologias do sensível: diálogos entre etnografia, cultura e imaginação.
Coordenadores:
Prof. Dr. Ailton Siqueira de S. Fonseca -UERN, Prof. Dr. Anaxsuell Fernandes da Silva - UEM
Debatedor: Prof. Dr. Gustavo de Castro e Silva -  UnB


Apresentação: Como é sabido, a Antropologia tem se debruçado no estudo da humanidade em seus diferentes aspectos (étnicos, raciais, sociais, econômicos, diversidades culturais, religiosos, míticos, tradicionais) e em diferentes abordagens (estruturalista, funcionalista, marxista, etc). no fundo, a Antropologia tem se dedicado ao estudo da condição humana em sua singularidade e complexidade. De uma forma ou de outra, desde os pioneiros   até os pensadores contemporâneos dessa disciplina tem-se estudado, refletido ou buscado compreender as dimensões simbólicas, míticas e imaginários sociais. Percebemos, hoje, que para alcançarmos essas dimensões, para respondermos aos desafios que nos colocam a realidade e compreendermos a complexidade da condição humana, a Antropologia precisou voltar-se a outros objetos tradicionalmente marginalizados ou depreciados. Mesmo resistindo a diversas críticas, o fazer antropológico tem se aberto e elegido outros objetos, tais como, as paixões, os delírios, os sonhos, o estético, sensibilidades e subjetividades humanas, por meio da literatura, das imagens, da imaginação, da poesia, das artes e do próprio conhecimento – investindo numa perspectivas de um conhecimento do conhecimento. São essas dimensões que podemos chamar de Antropologia do sensível, dimensões da cultura, da vida e do humano que mostram o lado sensível da concretude do mundo, lado esse sem o qual a compreensão antropológica não contemplaria a complexidade dos fenômenos que ela mesma pretende estudar, algo que se torna seminal para o diálogo com outras áreas do conhecimento. Essa Antropologia rejunta real e imaginário, ciência, arte e literatura, razão e paixão, prosaico e poético, pensamento sensível e pensamento domesticado. Entendemos que a aceitação da imaginação como fonte do conhecimento humano permite ao etnógrafo explorar a estética do imaginário que preside seu próprio discurso. De muitas formas isso implica problematizar legado racionalista desta disciplina, em sua insistência em diferenciar a Imaginação de outros modos de consciência, numa tentativa de apartar o pensamento humano da produção das imagens. Mais uma vez, trata-se de resgatar a unidualidade entre pensamento simbólico e significado conceitual no âmbito dos constructos explicativos do discurso antropológico, sem contudo, cair na armadilha da desvalorização do imaginário sustentado na oposição simplista entre demência e saber racional. Assim, sustentado na compreensão de que é nas fronteiras antropológicas que os fios de várias disciplinas são tramados/destramados, este grupo de trabalho pretende agregar diferentes pesquisas que tratem a relação entre imaginação (literária, poética, filmíca, musical, fotográfica, narrativas orais, repentes, estudos biográficos, experiências, etc…) e o fazer etnográfico. Seja pesquisas decorrentes de um tratamento central a tensão exposta ou trabalho que se desdobram da necessidade de se pensar o texto etnográfico como produto de uma pesquisa acadêmica.

Mais informações no site do evento: http://www.reaabanne2013.com.br/

segunda-feira, 4 de março de 2013

Próximas leituras


Nesses próximos dias o PETCIS vai realizar mais encontros de leituras. Dessa vez serão textos de natureza antropológica que acontecerá nesse mês de Março. Estão previstos o primeiro capítulo do livro  “O pensamento selvagem - Leví-Strauss” A ciência do conceito e o Feiticeiro e sua Magia. Teremos também leituras de Políticas e de sociologia clássica. Em breve divulgaremos os textos e as datas dos  próximos encontros.  

Rodas de leituras do PETCIS



Nas últimas semanas discutimos o texto do René Barbier “SOBRE O IMAGINÁRIO” - “PONTOS DE VISTA: O que pensam outros especialistas?”.


                            O texto vem para responder a demanda sobre a conceituação do imaginário social. É uma abordagem do imaginário na visão de vários autores em diferentes épocas. O final do século XX foi uma época favorável à extensão deste tema. Nessa época filmes, coleções e livros estavam voltados para este tema com maior desenvolvimento. O termo de imaginário pode mudar o significado para cada pessoa, somos nós que construímos esse significado e que muitas vezes, diz respeito ao momento em que estamos inseridos. Para uns o imaginário pode ser uma produção de devaneios de imagens fantástica. Para outros, tudo que não existe, ou seja,  uma espécie de outro mundo fora da realidade dura e concreta.  Para alguns a representação do imaginário é como um resultado de uma força criadora própria à imaginação, para outros a representação vem como uma manifestação para a construção da identidade humana.
                            A história do conceito do imaginário é dividida em três fases: A fase da sucessão, da subversão e a fase da autorização.
Fase da sucessão: Essa fase é caracterizada pela atualização do pensamento racional e a potencialização da função imaginante do ser humano. Após os pré-socráticos o pensamento grego impõe um dualismo entre o real e o imaginário, nessa fase existe dois lados: de um lado a sensação e a percepção do ser humano e do outro a fantasia, o sonho, a fabulação e a arte.
Fase da subversão: Esse momento se vai afirmar por uma atualização e por uma potencialização do real. Era notável nessa fase uma ambivalência entre os gregos, nesse momento era impossível se desfazer do imaginário.  Para a existência do real é necessário fazer um desvia para o imaginário. O imaginário reina nesse período.
Fase da autorização: Essa fase acontece no final do século XX com o equilíbrio do real com o imaginário. Essa é uma fase “imaginário-real-racional”, um período de equilíbrio entre os dois polos. O homem deve viver dividido entre esses dois polos, ele deve viver equilibrado entre o real e o imaginário.

Discutimos também o texto do Edgar Morin
A palavra sociedade, sociólogo (Da natureza da sociedade).

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Título: A Mão Esquerda da Escuridão Autor(a): Ursula K. LeGuin


Quem diria que a ficção-científica poderia partir da própria literatura e assumir compromissos com a antropologia, psicologia, sociologia e outras coisas mais? É o que acontece em “A Mão Esquerda da Escuridão”, da escritora norte-americana Ursula K. Le Guin.
Genly Ali, o protagonista, é um representante de uma grande união de planetas habitados pela raça humana – o Ekumen – que visa o comércio e a troca de ideias, conhecimento e cultura entre os mundos que o compõem. Enviado ao gelado planeta Gethen, ou mais conhecido como “Planeta Inverno”, Genly Ali almeja que tal mundo também possa se unir ao Ekumen e estabelecer contato com o resto da humanidade que ocupa a galáxia; mas as diferenças entre seus povos são gritantes.
Não se sabe ao certo como os humanos de Gethen assumiram a forma que possuem; se foram obra da seleção natural ou de alguma experiência distante dos primeiros humanos que visitarem o planeta, mas o fato é que os gethenianos possuem uma forma andrógena onde não há uma sexualidade estabelecida, isto é, durante a maior parte do tempo são totalmente assexuados. Todos possuem traços masculinos e femininos, impossibilitando a identificação convencional de homem ou mulher. A sexualidade só aflora nos momentos do “kemmer”, o que pode ser considerado vulgarmente como uma espécie de cio, onde dois gethenianos se unem e, dependendo do fluxo hormonal, um assume a forma feminina e o outro a forma masculina. Como homem e mulher residem em cada indivíduo, qualquer um poder ser mãe ou pai.
Seu modo de vida totalmente diferenciado serve para deixar claro que no embate de culturas, há sempre pontos de vista diferentes. Quando Genly Ali questiona o porquê de todos os veículos gethenianos não ultrapassarem 40 km/h, a resposta é simples e óbvia: Porque precisa ser mais veloz?
Genly Ali impressiona e assusta os nativos. É centro de curiosidade de alguns e alvo de ataque para outros. Os extremistas o chamam de pervertido, por ter uma sexualidade definida permanentemente e poder ter relações sexuais a qualquer momento, além de temerem uma invasão militar do grupo que o mesmo o representa. Outros o consideram um lunático, que relata absurdos, afirmando que veio de outro mundo há dezenas de anos luz de distância –, os gethenianos não desenvolveram nenhum veículo capaz de voar.
Seu único aliado é Estraven, um nativo que acaba por cometer erros e envolve Genly em várias intrigas internas que causam tensão entre as duas maiores nações de Gethen, “Karhide” e “Orgoreyn”, levando em consideraçã­­o a época em que a obra foi escrita, nos anos 60, notamos que ambas as nações e a tensão entre elas trata-se de uma alegoria da Guerra Fria, onde Karhide representa o Ocidente e Orgoreyn representa a União Soviética.
A narrativa é construída de forma brilhante, intercalando entre os eventuais relatos do próprio Genly Ali, contos e lendas da cultura de Gethen e relatos de Estravem, o que deixa o leitor a par dos conceitos, dos mitos que ergueram aqueles humanos, da religiosidade e também da dualidade sempre presente.
Vencedor das categorias máximas nos prêmios Hugo Awars e Nebula, “A Mão Esquerda da Escuridão” é um exercício para a criatividade, onde até as imagens são difíceis de imaginar sem um esforço do próprio leitor, o que encanta ainda mais! O certo e o errado, o ofensivo e o honroso, a forma como a sexualidade é retratada; tudo é diferente e temos que ter em mente que o que nos é estranho é sempre mais fácil de ser julgado, assim como também que tal preconcepção deve ser combatida.

Editora: Aleph N° de páginas: 296